Relatório de Obras: guia completo para gestão eficaz de obras
Entenda como estruturar um relatório de obras completo, padronizar o RAO, registrar evidências do canteiro e transformar dados em decisões mais rápidas sobre prazo, custo e qualidade

O sucesso de qualquer empreendimento na construção civil depende de uma comunicação clara, documentação precisa e controle rigoroso.
No centro de tudo isso está o relatório de obras, uma ferramenta indispensável para a gestão de projetos.
Seja você um engenheiro, gestor ou fiscal, dominar a elaboração e a análise de um Relatório de Acompanhamento de Obra (RAO) é o que diferencia um projeto bem-sucedido de um que acumula atrasos e custos inesperados.
Este guia completo foi criado para desmistificar o relatório de obras, mostrando como transformá-lo de uma simples obrigação burocrática em um poderoso aliado para a tomada de decisões estratégicas no canteiro.
O que é o relatório de obras e para que serve?
O relatório de obras, também conhecido como Relatório de Acompanhamento de Obra (RAO), é um documento formal que registra sistematicamente o andamento de um projeto de construção.
Ele funciona como um diário de bordo detalhado, centralizando informações cruciais sobre o progresso da obra em um determinado período.
Seus objetivos principais são:
- Documentar o andamento: Registrar de forma clara e objetiva tudo o que aconteceu no canteiro, desde as atividades executadas até as condições climáticas.
- Apoiar a fiscalização: Fornecer dados concretos para que fiscais e clientes possam verificar se o trabalho está em conformidade com o projeto e o contrato.
- Registrar evidências: Criar um histórico documentado, incluindo fotos de andamento na obra, que pode ser usado para resolver disputas contratuais ou validar medições.
- Facilitar auditorias: Servir como base para auditorias internas e externas, garantindo a transparência na gestão de obras.
Um relatório de obra completo cobre campos-chave como o progresso físico, os custos da obra, a qualidade na construção, a segurança no canteiro e o cumprimento do cronograma físico-financeiro.
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Quem deve elaborar e quem deve ler o relatório
A responsabilidade pela elaboração e análise do RAO é distribuída entre diferentes profissionais, cada um com um papel específico no controle de obras.
Quem elabora:
- Engenheiro ou Gestor da Obra: Geralmente é o principal responsável por compilar as informações, analisar os dados e redigir o relatório final.
- Técnico de Campo ou Encarregado: Coleta as informações diárias diretamente no canteiro, como número de funcionários, equipamentos em uso e serviços executados.
Quem lê e aprova:
- Fiscal de Obras: Analisa o relatório para garantir que a execução está de acordo com o escopo contratado e as normas técnicas.
- Proprietário ou Contratante: Utiliza o RAO para acompanhar o progresso da obra, o controle de custos e o cumprimento dos prazos.
- Equipe de Suprimentos: Verifica as informações sobre recebimento e uso de materiais para planejar as próximas compras.
- Diretoria e Gestores de Portfólio: Leem resumos executivos para ter uma visão geral do andamento dos projetos.
O fluxo de aprovação geralmente começa com o engenheiro da obra, passa pelo fiscal e termina com a validação do cliente, formalizando o aceite das informações apresentadas.
Quando produzir o relatório e com que frequência
A frequência de emissão de um relatório de obras varia conforme a complexidade, o ritmo e a fase do projeto.
- Relatório de Obra Diário: Ideal para obras de alta complexidade, com muitas frentes de serviço simultâneas ou em fases críticas. Ele permite um controle rigoroso e a rápida identificação de desvios.
- Semanal: É a frequência mais comum. Oferece um bom equilíbrio entre detalhamento e visão estratégica, sendo suficiente para a maioria dos projetos de construção civil.
- Quinzenal ou Mensal: Adequado para obras de longa duração e com ritmo mais estável ou para reportes a níveis gerenciais mais altos, que precisam de uma visão consolidada do progresso da obra.
A escolha da frequência deve ser definida no plano de gestão do projeto, garantindo que todos os stakeholders estejam alinhados.
Conteúdo essencial de um relatório de obras
Para que um RAO seja eficaz, ele precisa ser completo e bem estruturado. As informações obrigatórias incluem:
- Dados da Obra: Nome da obra, número do contrato, localização, cliente e período de referência.
- Resumo Executivo: Uma visão geral do status do projeto.
- Progresso Físico: Detalhamento das atividades executadas, com percentuais de avanço.
- Cronograma: Comparativo entre o previsto e o realizado.
- Desvios, Causas e Ações Corretivas: Análise de qualquer desvio de cronograma ou custo, suas causas e as medidas tomadas.
- Custos: Resumo das despesas e alinhamento com o cronograma físico-financeiro.
- Materiais: Controle de recebimento e estoque de insumos críticos.
- Qualidade: Registros de inspeções e testes de qualidade.
- Segurança: Ocorrências, diálogos de segurança (DDS) e conformidade com as normas.
- Fotos: Registro fotográfico datado para evidenciar o avanço.
- Anexos: Documentos complementares, como ensaios de laboratório ou notas fiscais.
Modelos e estruturas de um RAO
Uma estrutura padronizada facilita a leitura e a análise do relatório. Um bom modelo de relatório de obras pode ser organizado nas seguintes seções:
Resumo executivo
Esta é a primeira seção e, talvez, a mais importante.
Ela deve fornecer uma visão rápida do status geral da obra, destacando os principais marcos atingidos na semana, os próximos passos planejados e os riscos ou problemas que exigem atenção da gestão.
Progresso físico e cronograma
Aqui, detalhe o avanço das atividades.
Use percentuais de conclusão para cada frente de serviço e compare as datas previstas com as datas reais de início e término.
Gráficos simples, como um mini cronograma, ajudam na visualização do progresso e na identificação de desvios.

Desvios, causas e ações corretivas
Nenhum projeto é executado sem imprevistos. Esta seção é dedicada a documentar os desvios de prazo, custo ou qualidade.
É fundamental não apenas apontar o problema, mas também identificar a causa raiz (chuva, atraso na entrega de material, erro de projeto) e registrar as ações corretivas implementadas.
Custos, compras e materiais
Resuma as despesas do período, comparando-as com o orçamento previsto.
Informe sobre o status de compras importantes, o recebimento de materiais críticos no canteiro e qualquer variação de custo que possa impactar o orçamento final da obra.

Qualidade e inspeção
Documente as inspeções de qualidade realizadas, os ensaios tecnológicos (como testes de slump de concreto) e os resultados.
Registre qualquer não conformidade encontrada e as ações tomadas para corrigi-la, garantindo a conformidade com as normas técnicas.
Segurança no canteiro
A segurança é prioridade.
Relate o número de horas trabalhadas sem acidentes, os treinamentos realizados, os diálogos diários de segurança (DDS) e qualquer incidente ou acidente de trabalho, detalhando as medidas de mitigação adotadas.
Registro fotográfico e evidências
Uma imagem vale mais que mil palavras. Inclua fotos de andamento na obra com legendas claras, data, local e a atividade que está sendo registrada.
Um bom registro fotográfico é uma evidência poderosa do progresso e da qualidade do serviço.

Anexos e documentação
Liste todos os documentos anexados ao relatório, como planilhas de medição, cópias de notas fiscais, boletins de compra, certificados de qualidade de materiais ou relatórios de ensaios laboratoriais.
Ferramenta para padronizar o RAO sem depender de planilhas: Mais Controle
Na prática, um dos maiores desafios do relatório de obras é garantir padrão, consistência e histórico sem virar um processo manual e demorado.
Quando o RAO depende de arquivos soltos e anotações espalhadas, é comum surgir divergência de informação, retrabalho e dificuldade para aprovar e recuperar registros antigos.
Um exemplo de sistema pensado para esse cenário é o Mais Controle, voltado para a rotina de empresas da construção.
Além de centralizar registros do canteiro e evidências (como fotos e ocorrências), a plataforma também oferece o Relatório Gerencial.
Confira como fica o link compartilhável do Relatório Gerencial para seu Cliente.
Ela consolida informações da obra em uma visão mais clara para acompanhamento e decisão, ajudando a enxergar o que está acontecendo com custo, prazo e andamento sem precisar montar tudo manualmente em planilhas.

Se você quiser dar o próximo passo com mais segurança, preencha o formulário abaixo para agendar uma demonstração do sistema e ver como o Relatório Gerencial e os registros da obra se conectam na prática ⬇️
Boas práticas para qualidade e confiabilidade
Para que o RAO seja uma fonte confiável de informação, adote estas práticas:
- Padronização: Use termos e formatos consistentes em todos os relatórios.
- Validação de Dados: O engenheiro responsável deve validar as informações coletadas no campo.
- Versionamento: Mantenha um controle de versões para evitar o uso de documentos desatualizados.
- Clareza e Objetividade: Escreva de forma direta, evitando jargões excessivos.
RAOs por status: aprovadas, regularizadas e pendentes
É crucial gerenciar o ciclo de vida dos relatórios. Classifique-os por status para facilitar o controle:
- Pendentes: Relatórios recém-emitidos que aguardam análise e aprovação.
- Regularizadas: Relatórios que foram revisados e tiveram pendências ou ajustes solicitados.
- Aprovadas: Relatórios validados pelo fiscal e pelo cliente, que servem como base para medições e pagamentos.
Registrar as datas de emissão e aprovação é fundamental para o controle do cronograma físico-financeiro e para evitar atrasos nos pagamentos.
Como usar o RAO para tomada de decisão: indicadores e dashboards
O verdadeiro poder do relatório de obras está na sua capacidade de gerar insights para a tomada de decisão. Transforme os dados brutos em indicadores de desempenho (KPIs), como:
- Índice de Desempenho de Prazo (IDP): Mede a eficiência do cronograma.
- Índice de Desempenho de Custo (IDC): Avalia a eficiência do orçamento.
- Percentual de Conclusão Planejado (PPC): Compara o planejado com o executado.

Use dashboards visuais para apresentar esses KPIs aos gestores, permitindo uma análise rápida do desempenho da obra e a identificação de tendências que exigem ação imediata.
Modelos, templates e exemplos de RAO
Não comece do zero. Existem diversos modelos de relatório de obras disponíveis, desde planilhas simples até templates em softwares especializados.
Procure por um modelo que se ajuste ao tipo de sua obra (edificação, rodovia, saneamento) e personalize os campos conforme as necessidades do seu contrato.
Um bom template deve incluir seções para todos os itens essenciais listados anteriormente.
Checklist rápido de RAO
Antes de enviar seu relatório, faça uma verificação rápida para garantir que nada foi esquecido:
- [ ] O período de referência está correto?
- [ ] Todas as atividades executadas foram listadas?
- [ ] Os desvios foram justificados e as ações corretivas registradas?
- [ ] O registro fotográfico está completo e legendado?
- [ ] Os dados de custos e materiais estão atualizados?
- [ ] O resumo executivo reflete o status real da obra?
- [ ] Todos os anexos necessários foram incluídos?
Perguntas frequentes sobre Relatório de Obras
O RDO é um registro diário e bruto dos fatos, enquanto o RAO é um documento mais analítico e consolidado, geralmente com frequência semanal ou mensal, focado na gestão.
O relatório deve ser assinado pelo responsável técnico da construtora e, após a análise, pelo fiscal da obra e/ou representante do cliente.
O prazo de envio deve ser definido em contrato, mas geralmente ocorre no primeiro dia útil após o encerramento do período de referência (por exemplo, toda segunda-feira para relatórios semanais).
Exemplos de métricas e KPIs úteis
Para aprofundar a análise de desempenho da obra, utilize métricas como:
- Valor Agregado (VA): O valor orçado do trabalho realizado.
- Custo Real (CR): O custo real do trabalho realizado.
- Variação de Prazo (VPR): A diferença entre o valor agregado e o valor planejado.
- Variação de Custo (VC): A diferença entre o valor agregado e o custo real.
Esses indicadores, derivados da metodologia de Gerenciamento do Valor Agregado (GVA), oferecem uma visão precisa da saúde da obra.

Próximos passos para implementação
Implementar um processo eficaz de relatório de obras na sua empresa é um passo fundamental para a maturidade da gestão. Siga este roteiro:
- Defina o Padrão: Crie um modelo de relatório de obras padrão para a empresa.
- Atribua Responsabilidades: Deixe claro quem é responsável por coletar os dados, elaborar o relatório e aprová-lo.
- Escolha a Ferramenta: Decida se usará planilhas, softwares de gestão de obras ou aplicativos específicos para construção.
- Treine a Equipe: Capacite todos os envolvidos sobre a importância e o preenchimento correto do RAO.
- Monitore e Melhore: Acompanhe a implementação e colete feedback para aprimorar o processo continuamente.
Ao seguir essas diretrizes, você transformará o relatório de obras em uma ferramenta estratégica que impulsiona a eficiência, a transparência e o sucesso das suas obras.






